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NR-1RH · 8 min de leitura

Questionário de riscos psicossociais: como montar, aplicar e levar ao PGR

Questionário de riscos psicossociais para a NR-1: o que medir, como aplicar com anonimato, analisar por setor e levar ao PGR. Com modelo gratuito em PDF.

Atualizado em

Não existe questionário oficial de riscos psicossociais para a NR-1, e ele nem é obrigatório. Mas, quando a empresa decide usar um, ele precisa cobrir as dimensões em que os riscos aparecem, ser aplicado com anonimato e ter os resultados levados ao inventário de riscos e ao plano de ação do PGR. Este guia mostra o que medir, como aplicar, como analisar e traz um modelo gratuito em PDF.

Modelo gratuito: baixe o modelo de questionário de riscos psicossociais em PDF. Estrutura por dimensão, escala de resposta, orientações de aplicação e checklist para o PGR. Sem cadastro.

O questionário é obrigatório na NR-1?

Não. A NR-1, com a redação da Portaria MTE nº 1.419/2024 em vigor desde 26/05/2026, exige que os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho sejam identificados, avaliados e controlados dentro do gerenciamento de riscos. A forma de fazer isso fica a critério da empresa.

O MTE deixou isso claro em dois documentos. O guia de informações sobre os fatores de riscos psicossociais diz que o ministério não define nem sugere metodologia específica. E as Perguntas e Respostas sobre o Capítulo 1.5 da NR-1, de 2026, afirmam que o questionário é opcional. A avaliação pode usar observação, conversas ou oficinas.

Duas condições valem para quem escolhe o questionário:

  • Ele sozinho não basta. Os resultados precisam ser analisados e incorporados à Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) ou ao inventário de riscos.
  • O porte pesa. Em grupos muito pequenos, o MTE indica a observação da atividade e o diálogo com os trabalhadores.

Para que serve o questionário

Em empresas com várias áreas, o questionário é a forma mais prática de ouvir todo mundo com o mesmo instrumento, comparar setores entre si e repetir a medição depois das medidas. Entrevistas isoladas não fazem isso em escala.

Ele não é o único instrumento possível. Grupos focais, entrevistas, observação e indicadores como afastamentos, atestados e rotatividade também ajudam. Na prática, a combinação de métodos dá o retrato mais fiel: o questionário mostra onde o problema se concentra, e a conversa com a equipe explica por quê.

O que o questionário precisa medir

Um bom questionário cobre as dimensões em que os riscos psicossociais aparecem no trabalho e conversa com a lista exemplificativa de fatores do guia do MTE. A tabela abaixo liga cada dimensão aos fatores do guia e mostra um exemplo de afirmação, tirado do nosso modelo:

DimensãoFatores do guia do MTE que ela ajuda a captarExemplo de afirmação
DemandasSobrecarga; subcarga“Tenho mais trabalho do que consigo fazer no horário normal.”
Controle e autonomiaBaixo controle, falta de autonomia“Posso decidir a ordem e a forma de fazer minhas tarefas.”
SuporteFalta de suporte e apoio“Quando tenho dificuldade, recebo apoio da minha liderança.”
Relacionamentos e respeitoMaus relacionamentos; assédio“Os conflitos na equipe são tratados de forma justa e rápida.”
Clareza de papelBaixa clareza de papel ou função“Recebo demandas contraditórias de pessoas diferentes.”
MudançasMá gestão de mudanças organizacionais“As mudanças que afetam meu trabalho são explicadas com antecedência.”
Reconhecimento e justiçaBaixas recompensas; baixa justiça organizacional“As regras e decisões da empresa são aplicadas igualmente para todos.”
Segurança e equilíbrioTrabalho remoto e isolado; pressão sobre a vida pessoal“O trabalho atrapalha minha vida pessoal e familiar.”

Em mais detalhe, cada dimensão olha para:

  • Demandas: volume de trabalho, ritmo, prazos, pressão e exigência emocional.
  • Controle e autonomia: quanto a pessoa decide sobre como e quando faz o trabalho.
  • Suporte: apoio da chefia e dos colegas quando algo dá errado.
  • Relacionamentos: conflitos, comportamentos inaceitáveis, assédio moral e sexual.
  • Clareza de papel: saber o que se espera de você e não receber demandas contraditórias.
  • Mudanças: como as mudanças na organização são comunicadas e conduzidas.
  • Reconhecimento e justiça: percepção de tratamento justo, reconhecimento e perspectivas.
  • Insegurança e equilíbrio: medo de perder o emprego e conflito entre trabalho e vida pessoal.

Fatores como eventos violentos ou traumáticos e condições de difícil comunicação costumam aparecer melhor em registros da empresa e na conversa com a equipe do que em escala de frequência. Se forem relevantes na sua operação, inclua perguntas específicas. A lista completa, com exemplos do dia a dia, está em O que são riscos psicossociais na NR-1.

O que tem no modelo em PDF

O modelo gratuito foi pensado para empresas que ainda não fizeram nenhuma avaliação. Ele traz:

  • Orientações antes de aplicar: explicar o objetivo, garantir anonimato, respeitar um mínimo por grupo e registrar a aplicação.
  • Dados de agrupamento opcionais: setor, turno e tempo de empresa, sem identificar a pessoa.
  • 16 afirmações em 8 dimensões, respondidas numa escala de frequência de cinco pontos: nunca, raramente, às vezes, muitas vezes e sempre.
  • Uma pergunta aberta sobre o que mais dificulta o trabalho e o que ajudaria.
  • Como interpretar: algumas afirmações descrevem situações de risco e outras, fatores de proteção. Na tabulação, inverta a leitura das de proteção para que todas apontem na mesma direção.
  • Checklist para o PGR, do inventário à reavaliação.

Instrumentos de referência

Existem instrumentos validados internacionalmente que servem de base para muitas avaliações, como o COPSOQ (Copenhagen Psychosocial Questionnaire) e a ferramenta de indicadores dos Management Standards do HSE, a agência britânica de saúde e segurança do trabalho. Antes de usar um deles, verifique se há versão adaptada ao português e quais são as condições de uso definidas por quem o mantém.

O modelo desta página é uma estrutura própria e simplificada, um ponto de partida. Não é uma reprodução desses instrumentos e não substitui a escolha técnica do responsável pelo PGR. O guia do MTE pede método cientificamente fundamentado e aplicado por quem domina a técnica.

Como aplicar sem perder a confiança da equipe

  1. Comunique o porquê antes. Explique que a avaliação atende à NR-1, que é anônima e que o objetivo é melhorar as condições de trabalho, não identificar quem reclamou.
  2. Garanta anonimato de verdade. Nada de planilha compartilhada com nome. Use uma ferramenta que só mostre resultados agregados.
  3. Defina um mínimo de respondentes por grupo. Em equipes muito pequenas, o resultado por setor pode identificar pessoas. Agrupe setores até atingir um mínimo seguro.
  4. Facilite a resposta. Celular, poucos minutos, linguagem simples. Adesão baixa enfraquece o diagnóstico.
  5. Registre a aplicação. Data, público convidado, número de respondentes e forma de aplicação fazem parte da evidência.
  6. Mostre o que foi feito depois. Devolver os resultados gerais e as medidas adotadas é o que garante adesão na próxima rodada.

Se o questionário coletar dados que permitam identificar a pessoa, a LGPD entra em jogo. Veja os cuidados em LGPD e dados comportamentais.

Como analisar as respostas

As respostas viram informação útil quando são analisadas por dimensão e por setor. A média geral da empresa esconde onde o risco se concentra: uma nota razoável no total pode esconder um setor com sobrecarga grave.

Três cuidados na análise:

  • Inverta os itens de proteção (apoio, clareza, reconhecimento) antes de somar, para que nota alta signifique sempre mais risco, ou sempre menos.
  • Cruze com indicadores objetivos: afastamentos, atestados, rotatividade, horas extras e relatos no canal de denúncias.
  • Leve os resultados para conversa. Uma oficina curta com o setor mais crítico ajuda a entender a causa antes de definir a medida.

Do resultado ao PGR

A partir da análise, cada risco identificado segue o mesmo caminho dos demais riscos ocupacionais:

EtapaO que registrar
IdentificaçãoQual fator de risco, em qual setor, com base em quais resultados
AvaliaçãoClassificação do nível de risco (severidade × probabilidade), conforme os critérios documentados do PGR
Medidas de prevençãoO que será feito, por quem e até quando, no plano de ação
AcompanhamentoReavaliação e evidência de que a medida surtiu efeito

O passo a passo completo, com o item da NR-1 de cada exigência, está em Riscos psicossociais no PGR.

Os erros mais comuns

  • Usar uma pesquisa de clima genérica e chamar de avaliação de riscos psicossociais. A diferença está em Pesquisa de clima vs. avaliação de risco psicossocial.
  • Olhar só a média da empresa e deixar de ver o setor onde o problema está.
  • Aplicar o questionário e não registrar nenhuma medida. Avaliação sem plano de ação não fecha a trilha.
  • Fazer uma vez e nunca mais repetir.

Como o NorMAI ajuda

O NorMAI NR-1 apoia esse trabalho: aplica um questionário estruturado em 9 dimensões, pelo sistema ou por link com CPF, monta a matriz de probabilidade × gravidade por setor e gera o inventário de riscos com a fonte geradora, para apoiar o PGR. Os relatórios saem em PDF e Excel, trazem recomendações para priorizar as ações e a reavaliação compara uma rodada com a outra. A conformidade continua dependendo do gerenciamento de riscos conduzido com o responsável técnico pelo PGR. Se quiser medir primeiro onde sua empresa está, faça o autodiagnóstico NR-1 ou veja como funciona.

Perguntas frequentes

Existe um questionário oficial de riscos psicossociais para a NR-1?

Não. A NR-1 obriga a identificar, avaliar e controlar os riscos psicossociais, mas não impõe formulário. O MTE não define nem sugere metodologia específica: a empresa escolhe, com seus profissionais de SST, um instrumento adequado e cientificamente fundamentado, integrado ao PGR ou à AEP.

O questionário é obrigatório?

Não. Segundo o MTE, o questionário é opcional, e a avaliação pode usar observação, conversas, oficinas ou outros métodos adequados. Se a empresa usar questionário, os resultados precisam ser analisados e incorporados à AEP ou ao inventário de riscos.

O questionário precisa ser anônimo?

O guia do MTE recomenda garantir o anonimato quando houver questionário. Sem ele, as respostas tendem a ser enviesadas e o diagnóstico perde valor. O ideal é mostrar só resultados agregados e respeitar um número mínimo de respondentes por grupo.

Com que frequência devo aplicar o questionário?

A avaliação de riscos deve ser revista no mínimo a cada dois anos e antes disso quando o trabalho muda, uma medida se mostra ineficaz ou há adoecimento relacionado ao trabalho (NR-1, 1.5.4.4.6). Repetir a medição também é a forma de mostrar que as medidas tiveram efeito.

Posso usar o modelo em PDF desta página?

Sim, é gratuito e sem cadastro. Ele é um ponto de partida simplificado, não um instrumento validado. A definição final do instrumento e a análise devem ser feitas com o responsável técnico pelo PGR.