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NR-1Gestão · 8 min de leitura

O que são riscos psicossociais na NR-1: lista de fatores, exemplos e como identificar

Riscos psicossociais na NR-1 são perigos da organização do trabalho. Veja a definição do MTE, os 13 fatores com exemplos e como identificar cada um.

Atualizado em

Para a NR-1, fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho são perigos que nascem de problemas na concepção, na organização e na gestão do trabalho e que podem afetar a saúde do trabalhador nos planos psicológico, físico e social. Exemplos: sobrecarga, assédio, falta de autonomia, papéis confusos e falta de apoio da liderança. Eles entram no gerenciamento de riscos ocupacionais (GRO) como qualquer outro risco, e o foco é a forma como o trabalho está organizado, não o diagnóstico de cada pessoa.

Todo mundo fala em “riscos psicossociais” desde a atualização da NR-1, mas pouca gente consegue explicar o que entra nessa conta. É estresse? É saúde mental do funcionário? É o clima da empresa? Neste guia você vê a definição oficial, a lista de fatores que o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) usa como referência, como cada um aparece no dia a dia e onde procurar sinais deles na sua empresa.

Situação em outubro de 2026: a nova redação do capítulo 1.5 da NR-1, que cita expressamente os fatores de risco psicossociais, está em vigor desde 26/05/2026. Os 90 dias iniciais de fiscalização orientativa terminaram no fim de agosto, e hoje cabe autuação. Valide as decisões com o responsável técnico pelo gerenciamento de riscos da sua empresa.

O que a NR-1 diz, exatamente?

A Portaria MTE nº 1.419/2024 reescreveu o capítulo 1.5 da NR-1 e passou a mencionar os fatores psicossociais de forma expressa. O subitem 1.5.3.1.4 manda o gerenciamento de riscos abranger agentes físicos, químicos e biológicos, acidentes e fatores ergonômicos, incluindo os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho. A vigência, prevista para 2025, foi adiada pela Portaria MTE nº 765/2025 e começou em 26 de maio de 2026.

Um detalhe que o próprio guia do MTE sobre fatores de riscos psicossociais destaca: a obrigação de gerenciar todos os riscos ocupacionais já existia antes. A nova redação só deixou isso explícito, para acabar com a dúvida. Na prática, os psicossociais ficaram no bloco dos fatores ergonômicos, e a gestão combina a NR-1 com a NR-17 (Ergonomia).

Por que o tema ganhou peso? O mesmo guia cita dados de acidentes de trabalho de 2022 no Brasil: somados, os transtornos ansiosos, os episódios depressivos e as reações ao estresse grave representaram 8,35% dos adoecimentos ocupacionais, atrás apenas da dorsalgia.

Se a sua dúvida é sobre prazos, quem precisa cumprir e o que mudou em 2026, veja o panorama em NR-1 e riscos psicossociais: o que muda em 2026. Aqui o foco é outro: entender cada fator.

Perigo, risco e consequência: qual a diferença?

Muita confusão some quando se separam três palavras:

  • Fator de risco (perigo): a característica do trabalho que pode fazer mal. Exemplo: metas que exigem horas extras toda semana.
  • Risco: a combinação da gravidade do possível dano com a chance de ele acontecer. É o que a empresa avalia e classifica.
  • Consequência (lesão ou agravo): o que pode acontecer com a saúde. Exemplo: esgotamento, transtorno mental ou DORT.

O guia do MTE resume bem: na avaliação, a pergunta é quais elementos da atividade funcionam como estressores. Não se trata de medir sintomas individuais nem sinais biológicos de ninguém. Trata-se de olhar as condições de trabalho a que as pessoas estão submetidas.

Quais são os fatores de riscos psicossociais? Lista com exemplos

O MTE publicou uma listagem exemplificativa, ou seja, que não esgota o tema. Abaixo, os 13 fatores do guia com um exemplo de como cada um costuma aparecer numa empresa. Os exemplos são ilustrativos e não fazem parte do guia:

  1. Excesso de demandas (sobrecarga). Volume de tarefas que não cabe na jornada, gente pulando intervalo para dar conta, hora extra virando rotina.
  2. Baixa demanda (subcarga). Pessoas qualificadas paradas ou com tarefas muito abaixo da sua função por longos períodos.
  3. Baixo controle e falta de autonomia. Nenhuma margem para decidir ordem, ritmo ou forma de fazer o próprio trabalho.
  4. Baixa clareza de papel ou função. Ninguém sabe ao certo quem decide o quê, ou duas lideranças cobram coisas opostas.
  5. Falta de suporte e apoio. O empregado não tem a quem recorrer quando trava, e o gestor só aparece para cobrar.
  6. Baixas recompensas e pouco reconhecimento. Esforço extra que nunca é notado, critérios de promoção que ninguém conhece.
  7. Baixa justiça organizacional. Regras aplicadas de forma diferente para pessoas diferentes, decisões sem explicação.
  8. Maus relacionamentos no trabalho. Conflitos frequentes entre colegas ou com a liderança, sem mediação.
  9. Assédio de qualquer natureza. Humilhação pública, isolamento, constrangimento, assédio sexual.
  10. Má gestão de mudanças organizacionais. Reestruturação, troca de sistema ou fusão anunciada de surpresa e sem preparo.
  11. Eventos violentos ou traumáticos. Assaltos, agressões de clientes, acidentes graves presenciados.
  12. Trabalho remoto e isolado. Pouco contato com a equipe e dificuldade de separar trabalho e vida pessoal.
  13. Condições de difícil comunicação. Informações que não chegam, ruído, barreiras de idioma, canais confusos.

Se a sua operação tem algo específico, como atendimento a público agressivo, metas por produção ou trabalho noturno, inclua na sua lista.

Que consequência cada fator pode trazer?

O guia associa cada fator a possíveis lesões ou agravos à saúde. Quase todos podem levar a transtorno mental. Alguns também aparecem ligados a DORT ou fadiga. A coluna de sinais é uma sugestão prática de onde olhar, não faz parte do guia:

Fator de risco (perigo)Possível consequência (guia do MTE)Sinais que vale olhar na empresa
Excesso de demandas (sobrecarga)Transtorno mental; DORTHoras extras recorrentes, intervalos não usufruídos, atrasos crônicos
Baixa demanda (subcarga)Transtorno mentalOciosidade longa, desvio para tarefas sem relação com a função
Baixo controle, falta de autonomiaTranstorno mental; DORTRitmo imposto por sistema ou fila, zero margem de decisão
Baixa clareza de papel ou funçãoTranstorno mentalRetrabalho, ordens contraditórias, cargos sem descrição
Falta de suporte e apoioTranstorno mentalPedidos de ajuda sem resposta, gestor ausente
Baixas recompensas e reconhecimentoTranstorno mentalSaídas de bons profissionais, queixas sobre promoção
Baixa justiça organizacionalTranstorno mentalReclamações de tratamento desigual, regras “para alguns”
Maus relacionamentosTranstorno mentalConflitos repetidos, pedidos de troca de equipe
Assédio de qualquer naturezaTranstorno mentalRelatos no canal de denúncia, afastamentos em um mesmo time
Má gestão de mudançasTranstorno mental; DORTMudanças anunciadas sem aviso, boatos, queda de adesão
Eventos violentos ou traumáticosTranstorno mentalRegistros de agressão, assaltos, acidentes graves
Trabalho remoto e isoladoTranstorno mental; fadigaMensagens fora do horário, pouca interação com a equipe
Difícil comunicaçãoTranstorno mentalInformação que não chega, falhas de passagem de turno

Como identificar os riscos psicossociais na empresa?

Identificar é verificar, setor por setor, se esses fatores estão presentes no trabalho real, aquele que as pessoas efetivamente fazem, e não na descrição do cargo. O guia do MTE aponta quatro caminhos, que podem ser combinados:

  • Observação da atividade, conversando com quem faz o trabalho.
  • Pesquisas padronizadas (questionários), aplicadas com anonimato garantido.
  • Oficinas moderadas com a equipe de um setor ou atividade.
  • Equipe de especialistas, de preferência multidisciplinar.

O porte pesa na escolha. Em empresa grande, um questionário que alcance todos os setores costuma funcionar melhor. Em empresa pequena, uma oficina ou a observação da rotina podem bastar. O MTE não indica nenhuma ferramenta específica: a empresa escolhe, com seus profissionais de SST, um método adequado e cientificamente fundamentado. Se optar por questionário, veja como montar e aplicar no guia do questionário de riscos psicossociais, que traz um modelo gratuito em PDF.

Onde procurar sinais antes de começar

Na preparação, o guia recomenda reunir informações que a empresa muitas vezes já tem e não cruza:

  • registros de afastamentos e as Comunicações de Acidente de Trabalho (CAT) abertas;
  • indicadores do PCMSO;
  • análises de acidentes e avaliações anteriores, se existirem;
  • dados do processo produtivo, dos setores e do perfil dos trabalhadores.

Esses dados ajudam a decidir por onde começar. Um setor com muitos afastamentos por transtorno mental, por exemplo, pode ser o piloto. Mas a identificação precisa, no fim, alcançar todas as atividades da empresa.

Uma pesquisa de clima genérica pode dar pistas, mas não substitui esse processo: ela mede satisfação, enquanto a NR-1 pede a identificação de perigos ligados à organização do trabalho.

O que não é risco psicossocial para a NR-1?

Três limites evitam que a empresa gaste energia no lugar errado:

  1. Problemas fora do trabalho não entram. A norma fala em fatores “relacionados ao trabalho”. Questões da vida pessoal do empregado ficam fora do gerenciamento de riscos.
  2. Não é avaliação da saúde mental de cada pessoa. O objetivo é verificar as condições de trabalho e prevenir o adoecimento, não diagnosticar ninguém.
  3. Não é o exame médico. A avaliação psicossocial feita em exame clínico de aptidão para atividades específicas é responsabilidade do médico, no PCMSO (NR-7). É outro processo.

Outro ponto que surpreende: o guia afirma que nem toda empresa terá fatores de risco psicossociais. Assim como nem toda empresa tem risco químico, só o processo de identificação diz se eles existem ali. O que não pode é deixar de olhar, nem deixar de registrar como se chegou à conclusão.

Identifiquei os fatores. E agora?

Os fatores encontrados seguem o mesmo ciclo dos demais riscos: avaliação e classificação, registro no inventário de riscos, medidas de prevenção num plano de ação com responsáveis e prazos, e acompanhamento com participação dos trabalhadores. O guia do MTE pede preferência para medidas que mudem a organização do trabalho, como priorizar tarefas, rever metas, garantir pausas ou reforçar equipes, em vez de ações só individuais ou comportamentais.

O passo a passo completo, com o item da norma de cada exigência, está no guia Riscos psicossociais no PGR. Para entender o que a fiscalização olha e como a penalidade é calculada, veja Multa da NR-1 por riscos psicossociais.

Microempresas e empresas de pequeno porte dispensadas do PGR também precisam olhar para o tema. Segundo o MTE, a Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) da NR-17 é obrigatória para todas as empresas e deve incluir os fatores psicossociais.

Como o NorMAI ajuda a identificar esses fatores

O NorMAI NR-1 apoia esse trabalho: aplica um questionário estruturado em 9 dimensões, pelo sistema ou por link com CPF, monta a matriz de probabilidade × gravidade por setor e gera o inventário de riscos com a fonte geradora, para apoiar o PGR. Os relatórios saem em PDF e Excel, trazem recomendações para priorizar as ações e a reavaliação compara uma rodada com a outra. A conformidade continua dependendo do gerenciamento de riscos conduzido com o responsável técnico pelo PGR. Quer saber em que ponto sua empresa está? Comece pelo autodiagnóstico NR-1 ou veja como funciona.

Perguntas frequentes

O que são riscos psicossociais segundo a NR-1?

Segundo o guia do MTE, fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho são perigos que vêm de problemas na concepção, na organização e na gestão do trabalho. Eles podem afetar a saúde do trabalhador nos planos psicológico, físico e social, com efeitos como estresse, esgotamento, depressão e DORT.

Quais são exemplos de riscos psicossociais no trabalho?

A lista exemplificativa do MTE inclui sobrecarga e subcarga de demandas, falta de autonomia, baixa clareza de papel, falta de apoio, pouco reconhecimento, baixa justiça organizacional, maus relacionamentos, assédio, má gestão de mudanças, eventos violentos ou traumáticos, trabalho remoto e isolado e condições de difícil comunicação.

Toda empresa tem riscos psicossociais?

Não necessariamente. O guia do MTE explica que só a identificação de perigos mostra se esses fatores estão presentes, como acontece com riscos químicos ou biológicos. Mas toda empresa com empregados CLT precisa fazer essa identificação e conseguir mostrar como chegou à conclusão.

A avaliação de riscos psicossociais avalia a saúde mental do funcionário?

Não. O objetivo é verificar as condições em que o trabalho é feito e se há fatores que podem adoecer, para adotar medidas de prevenção. Também não se confunde com a avaliação psicossocial do exame clínico de aptidão, que é responsabilidade do médico no PCMSO (NR-7).

O MTE exige um questionário específico para identificar os riscos psicossociais?

Não. O MTE não indica ferramenta nem metodologia específica. A empresa escolhe, com seus profissionais de SST, entre observação, questionários, oficinas ou uma combinação, desde que o método seja adequado à sua realidade e tecnicamente fundamentado, com anonimato quando houver questionário.